Grandes investimentos impulsionam as grandes vinícolas do Sul
19/01/2010 10:06:06
Vinícolas gaúchas detêm mais de 90% da
Para 2010, os vinhos gaúchos projetam novos investimentos, ampliações de produção
O mercado vinícola está em polvorosa depois da aquisição da Almadém no final de 2009. Os vinhos gaúchos, que respondem por mais de 90% da comercialização do setor, prepara para 2010 novos investimentos- entre empresas familiares e cooperativas - projetam ampliações de produção e novas táticas comerciais para disputar a preferência de consumidores.
Uma pequena, mas comemorada, conquista de 2009 foi à redução dos rótulos importados (que ainda representam sete entre 10 garrafas comercializadas) no consumo dos brasileiros, Os números de comercialização divulgados pelo Instituo Brasileiro do Vinho (Ibravin) mostram leve recuperação do produto nacional. De janeiro a novembro, houve crescimento de 5,96% nas vendas de vinhos finos brasileiros, que somaram 17,3 milhões de litros. Os importados amargaram queda de 0,85%, somando 53,1 milhões de litros. No mesmo período de 2008, também houve recuo dos concorrentes, após dois anos seguidos de avanço. O diretor-executivo do Ibravin, Carlos Paviani, considera o resultado um feito, principalmente em meio ao câmbio rebaixado do dólar.
A liderança da Vinícola Aurora (11 milhões de litros de vinhos finos) está na mira do novo grupo que garante que fecharia 2009 com 12 milhões de litros. Além Guerra, diretor comercial da cooperativa, que há 40 anos detém o primeiro lugar, não está preocupado em quem tem mais litros na carteira. Para Guerra, a cooperativa, que teve aumento de 30,5% na receita de vendas em 2009 em toda a operação, manteve posição no ano passado e para 2010 é situação nova. “O ano está começando agora. Vamos disputar a liderança”, assegura o diretor da Aurora, que sinaliza investimentos em produção e crescimento em mercados como o nordestino. Em 2010, a cooperativa espera elevar 10% a receita, chegando a R$ 220 milhões.
A Salton que perdeu a briga na compra da Almadém, recupera-se do baque está focada na implantação de nova linha de produção, que elevará em 60% a 70 % a capacidade atual. Em 2009, a Salton registra avanço de 15% no faturamento, que fechou em R$ 206 milhões, acima da previsão de R$ 200 milhões. A produção foi de 14,5 milhões de litros, entre vinhos finos e espumantes. A linha existente será dedicada a espumante e a nova para portfólio de vinhos finos. “O setor de vendas terá de trabalhar mais. Seremos mais agressivos para buscar mais mercados. Alguém terá de perder espaço”, avisa Daniel Salton, que se prepara para uma briga entre produtos nacionais e importados.
“Teremos maior poder de fogo e custo mais racional”, traça o empresário, que pretende reduzir turnos e horas extras, o que eleva custos. O investimento será de R$ 10 milhões, com meta de acionar a produção no segundo semestre deste ano. Outra decisão é atacar com mais vigor o Nordeste, região que virou alvo da cobiça dos maiores fabricantes locais. “Temos hoje um gerente na Bahia e no Recife. Vamos ser mais ágeis na entrega e teremos campanha em espumantes”, detalha o diretor-presidente.
A Salton tem 25% de seu mercado no Sul e 55% no Sudeste. O restante se divide entre Centro-oeste e clientela nordestina. A área de exportação, setor ainda coadjuvante da operação, passa por reestruturação que incluirá busca de novos mercados. O grupo conta ainda com o trunfo dos equipamentos de enoturismo, no complexo da Serra gaúcha, que registra fluxo 25% de visitantes maior a cada ano.
Salton reforça estratégia da briga que é provar que o produto nacional é melhor, no confronto com os importados baratos. “Brasileiro consome mais porque não conhece o nacional”, justifica, lembrando que a derrota local na guerra de preços tem outro componente, que é 50% de custo de impostos de cada garrafa.
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